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CCaç 13 |
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Mina TMD - 1970
Minas e armadilhas fazem parte dos presentes trocados na guerra.
As fotos referem-se a uma mina TMD, colocada na estrada de Bissorã para o Olossato pelo PAIGC, e detectada por um elemento da população que quase a fez detonar.
Eram variados os modelos de minas anti-carro utilizados pelo PAIGC, eram mais ou menos fáceis de desmontar, com excepção para a "Viúva Negra", que tinha 2 tampas, uma que ao ser desenroscada permitia a desmontagem, outra que a fazia explodir, e quem a montava escolhia o que cada uma iria fazer.
O elemento da população que a detectou esta mina, fê-lo inadvertidamente ao colocar-lhe um pé em cima, mas ao sentir algo duro aliviou a pressão, o que evitou por pouco a sua explosão, pois a cavilha que segurava o disparador ficou mesmo presa na pontinha, o que criou alguns riscos na sua desmontagem.
Tratava-se de uma anti-carro "S 47/53", de origem russa, mas era conhecida por nós como uma mina TMD, a que chamava-mos "Tira a Mão Dai".
A mina TMD é uma mina constituída por uma caixa de madeira, com 6 kgs de TNT, 3 de cada lado e dois sistemas de detonação, os quais possuem componentes de plástico, para dificultar a sua detecção.
A madeira permite fazer minas de custo mais baixo e com maior facilidade, embora tenha o inconveniente de apodrecer se ficar na terra muito tempo, mas tem também a vantagem de ser mais difícil de encontrar pelos detectores de metal (não possuíamos detectores de metal no nosso teatro de operações).
O nosso seu detector de minas era um ferro afiado, que se espetava no chão com muito cuidado, a um ângulo de 45 graus, se batesse em algo sólido era provavelmente uma mina, pois na Guiné não existem pedras.
A TMD é uma mina anti-carro e anti-pessoal. Anti-carro porque dado o seu poder explosivo, coloca uma viatura em cima de uma árvore, e anti-pessoal porque dado seu sistema de detonação era igualmente activada pelo peso de uma pessoa que a pisasse, só que o que se encontrasse dela não caberia numa caixa de fósforos.
A TMD era uma mina muito utilizada, sendo normalmente uma mina simples de montar e desmontar.
Nesta mina apesar da posição da cavilha de segurança no disparador, estar numa posição delicada, considerei que se este não estivesse muito preso ao resto da mina poderia retira-lo, desde que o rodasse com muito cuidado para a cavilha não cair.
Retirado o disparador e não querendo arriscar mais, destrui o mesmo com uma granada de mão ofensiva. O segundo disparador foi fácil de retirar, deixando a mina inofensiva.
Em cima é apresentada uma foto de parte do outro sistema de detonação (disparador), que foi recuperado.
Desmontado o dispositivo de detonação, havia que remover a mina.
O risco maior que se pode ocorrer numa desmontagem destas minas, é a própria mina estar armadilhada, isto é, debaixo daquela mina pode estar enterrada outra, e ao levantar-se a primeira a segunda rebenta, originando o rebentamento também da primeira.
É fácil armadilhar esta mina, basta colocar um fio no fundo da primeira e liga-lo ao disparador da outra, ou mais sofisticado colocar na mina de baixo, um disparador de pressão, que rebenta quando se retirar o peso da mina de cima, assim a tarefa mais difícil é perceber se existe alguma armadilha.
A segurança indica que estas minas devem ser retiradas com uma corda, com um comprimento que possa dar uma protecção adequada, no entanto eu não tinha nenhuma corda, pois estava à espera de encontrar apenas uma PMD-6.
Após uma breve avaliação ao "trabalho" de quem tinha montado ali a mina, qual indicava que tinha escolhido o local mais fácil, mas mais obvio para a montagem, logo não quis ter muito trabalho, e portanto não a devia ter armadilhada, iniciei a verificação se estava armadilhada com os meios que dispunha.
Utilizando a faca alarguei de lado o buraco onde estava a mina, e depois por baixo, de modo a conseguir com os dedos verificar se existia outro buraco por baixo, e provavelmente outra mina, como não o detectei, levantei a mina cuidadosamente mas confiante.
Uma das alternativas à desmontagem das minas, e que implicava poucos riscos, era atirar-lhe uma granada para cima, e faze-la rebentar.
Mina PMD-6
A PMD-6 é uma mina anti-pessoal e uma das mais utilizadas minas no mundo, foi-o também na Guiné, era a única mina anti-pessoal utilizada pela guerrilha, sobre ela foi elaborado um texto na página da CCaç. 14
Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13 (1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Isabel Niza
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