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Mina TMD - 1970      

                                         

1970 - Mina antes de desmontada, ainda parcialmente tapada de terra 

1970 - Retirada da mina depois de desmontada

1970 - Sistema de disparo da mina. É de origem russa e o corpo onde encaixa o dispositivo (em cima ao meio), é feito de um plástico duro, contrariamente aos nossos que são metálicos

 

Minas e armadilhas fazem parte dos presentes trocados na guerra.

 

As fotos referem-se a uma mina TMD, colocada na estrada de Bissorã para o Olossato pelo PAIGC, e detectada por um elemento da população que quase a fez detonar.

 

Eram variados os modelos de minas anti-carro utilizados pelo PAIGC, eram mais ou menos fáceis de desmontar, com excepção para a "Viúva Negra", que tinha 2 tampas, uma que ao ser desenroscada permitia a desmontagem, outra que a fazia explodir, e quem a montava escolhia o que cada uma iria fazer.

 

O elemento da população que a detectou esta mina, fê-lo inadvertidamente ao colocar-lhe um pé em cima, mas ao sentir algo duro aliviou a pressão, o que evitou por pouco a sua explosão, pois a cavilha que segurava o disparador ficou mesmo presa na pontinha, o que criou alguns riscos na sua desmontagem.

 

Tratava-se de uma anti-carro "S 47/53", de origem russa, mas era conhecida por nós como uma mina TMD, a que chamava-mos "Tira a Mão Dai". 

 

A mina TMD é uma mina constituída por uma caixa de madeira, com 6 kgs de TNT, 3 de cada lado e dois sistemas de detonação, os quais possuem componentes de plástico, para dificultar a sua detecção.

 

A madeira permite fazer minas de custo mais baixo e com maior facilidade, embora tenha o inconveniente de apodrecer se ficar na terra muito tempo, mas tem também a vantagem de ser mais difícil de encontrar pelos detectores de metal (não possuíamos  detectores de metal no nosso teatro de operações).

 

O nosso seu detector de minas era um ferro afiado, que se espetava no chão com muito cuidado, a um ângulo de 45 graus, se batesse em algo sólido era provavelmente uma mina, pois na Guiné não existem pedras.

 

A TMD é uma mina anti-carro e anti-pessoal. Anti-carro porque dado o seu poder explosivo, coloca uma viatura em cima de uma árvore, e anti-pessoal porque dado seu sistema de detonação era igualmente activada pelo peso de uma pessoa que a pisasse, só que o que se encontrasse dela não caberia numa caixa de fósforos.

 

A TMD era uma mina muito utilizada, sendo normalmente uma mina simples de montar e desmontar.

 

Nesta mina apesar da posição da cavilha de segurança no disparador, estar numa posição delicada, considerei que se este não estivesse muito preso ao resto da mina poderia retira-lo, desde que o rodasse com muito cuidado para a cavilha não cair.

 

Retirado o disparador e não querendo arriscar mais, destrui o mesmo com uma granada de mão ofensiva. O segundo disparador foi fácil de retirar, deixando a mina inofensiva.

 

Em cima é apresentada uma foto de parte do outro sistema de detonação (disparador), que foi recuperado.

 

Desmontado o dispositivo de detonação, havia que remover a mina.

 

O risco maior que se pode ocorrer numa desmontagem destas minas, é a própria mina estar armadilhada, isto é, debaixo daquela mina pode estar enterrada outra, e ao levantar-se a primeira a segunda rebenta, originando o rebentamento também da primeira.

 

É fácil armadilhar esta mina, basta colocar um fio no fundo da primeira e liga-lo ao disparador da outra, ou mais sofisticado colocar na mina de baixo, um disparador de pressão, que rebenta quando se retirar o peso da mina de cima, assim a tarefa mais difícil é perceber se existe alguma armadilha.

 

A segurança indica que estas minas devem ser retiradas com uma corda, com um comprimento que possa dar uma protecção adequada, no entanto eu não tinha nenhuma corda, pois estava à espera de encontrar apenas uma PMD-6.

 

Após uma breve avaliação ao "trabalho" de quem tinha montado ali a mina, qual indicava que tinha escolhido o local mais fácil, mas mais obvio para a montagem, logo não quis ter muito trabalho, e portanto não a devia ter armadilhada, iniciei a verificação se estava armadilhada com os meios que dispunha.

 

Utilizando a faca alarguei de lado o buraco onde estava a mina, e depois por baixo, de modo a conseguir com os dedos verificar se existia outro buraco por baixo, e provavelmente outra mina, como não o detectei, levantei a mina cuidadosamente mas confiante.   

 

Uma das alternativas à desmontagem das minas, e que implicava poucos riscos, era atirar-lhe uma granada para cima,  e faze-la rebentar.

 

Mina PMD-6

 

A PMD-6 é uma mina anti-pessoal e uma das mais utilizadas minas no mundo, foi-o também na Guiné, era a única mina anti-pessoal utilizada pela guerrilha, sobre ela foi elaborado um texto na página da CCaç. 14


 

Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato

Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

(1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

 


 

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