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O Pau do Padre - 1971
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07/1970 -
Procurando minas e armadilhas na ponte de betão no Rio Blassar
(a norte de Bissorã) destruída pelo PAIGC (1) |
Estávamos no inicio do ano de 1971, a comissão já se
aproximava do fim, e como era norma, foi incumbido a cada especialista de minas
e armadilhas, a missão de “limpar” a zona onde tinha “plantado” as mesmas em
Julho de 1970.
O 4º pelotão (cerca de 18 homens e um grupo de 5 milícias) dirigiu-se para o
norte, para a ponte do rio Blassar, pois tínhamos minado no ano anterior um
trilho que era utilizado pela guerrilha, como caminho alternativo à ponte.
A destruição de pontes e a minagem de estradas, era
pratica da guerrilha, passando esta a utilizar trilhos alternativos.
A zona para além da ponte era território onde não se ia
à bastante tempo, e as informações sobre o que ai se passava eram pouco seguras, o
que constava era que existiam 2 bi-grupos, que vivia lá um cubano especialista
em foguetões e que a ponte estava minada.
A captura de um elemento da população (não é designado por guerrilheiro apenas
porque não tinha uma arma), apanhado no mato com várias postas de bacalhau,
reforçou as suspeitas existentes, pois este confessou serem para o referido
cubano.
O bacalhau tinha sido fornecido por um comerciante libanês de um
restaurante de Bissorã, que por acaso no último ataque de artilharia do PAIGC a
Bissorã,
tinha acendido as luzes, para não disparem contra o restaurante segundo ele
dizia, para servir de referência diziam outros.
Durante a instalação das minas e armadilhas, junto à ponte do rio Blassar,
tinha inspeccionado a ponte e os seus acessos e contrariamente ao que se
afirmava, a ponte não estava minada ou armadilhada, a contra-informação é também
uma arma de guerra.
Seguimos para a ponte de Bassar, pela estrada que ligava Bissorã a Barro,
povoação localizada junto à fronteira, sendo esta zona da ponte (segundo os
soldados africanos), um dos pontos de passagem da guerrilha, para fornecimento
de abastecimentos, nomeadamente ao Quartel General da Zona Norte, sediado no
Morés.
Uma operação na zona para além do rio Blassar, colocava sempre difíceis problemas no
regresso, pois não eram muitos os locais de passagem, e os
guerrilheiros bons conhecedores do terreno, já sabiam onde nos deviam montar as emboscadas.
No dia da acção de desminagem, o alferes Joshua informou-nos, que o novo
comandante do batalhão que tinha chegado à 2 dias, nos iria acompanhar, facto
absolutamente inédito.

Cabo de bastão bijagó, Ancaguma, Orango Grande (4)
A chegada do comandante de batalhão ao local de partida,
causou logo o nosso espanto, pois ele apareceu desarmado, e acompanhado pelo
padre que trazia um pau com cerca de 1,5m de altura 10 cm de largo e 2 de
grossura, onde estavam trabalhadas muitas figuras.
Os soldados africanos fizeram, logo os seus comentários (em crioulo, mas que
descrevo em português):
- O comandante vem desarmado! Pensa que vem passear! - disse incrédulo um deles;
- Tu não percebes nada, ele não precisa de arma, não vez que ele trás guarda
costas! - disse um segundo em tom de ironia;
- E vai acabar com eles à paulada! - disse um terceiro, o que originou
gargalhada geral.
Todos ficaram intrigados com aquele bastão, que ninguém compreendia o
significado.
Depois das apresentações informais, o alferes indicou ao comandante, e ao padre, que
ele iria na frente, o cabo a meio e o furriel à retaguarda, e que eles iriam
perto do furriel, o qual zelaria pela sua segurança.
Aproveitei a oportunidade para dizer ao comandante e ao padre, que teriam os
nossos 2 melhores homens junto deles, e estariam sempre dentro do meu raio de
visão, bastando um sinal para me chamar, recomendei para não saírem da coluna,
silêncio absoluto, se parássemos deviam deitar-se de imediato no chão, e quando
estivéssemos à zona de maior perigo eu os avisaria.
Iniciamos a marcha utilizando a estrada que nos levaria à ponte do rio Blassar.

Cobra-papa-ovos - Dasypeltis scabra
Comprimento em geral, 60 a 70 cm,
podendo chegar a 1 m. Veneno inoperante, por falta de dentes inoculadores.
Alimenta-se exclusivamente ovos de Aves (5)
Ao fim de pouco tempo, surge uma bela e cobra de tons vivos em amarelo e verde (cobra-papa-ovos),
pendurada num arbusto, que se colocou numa atitude defensiva, perante a nossa
passagem, e o tenente-coronel pega num pau e vai direito a ela para a matar,
atitude muito perigosa na Guiné, já que existem muitas cobras cuspideiras, os
olhos são o seu alvo e o seu veneno é capaz de matar em escassos minutos, o que
me deixou aflito pelo que fiz de imediato pontaria à cabeça da cobre, ao mesmo
tempo que perguntava aos soldados se ela era perigosa, como a resposta foi que
era uma cobra pacifica que não fazia mal a ninguém, lá o comandante fez a sua
primeira morte.
Quando chegamos perto da zona da ponte, avisei o comandante e o padre que
tínhamos entrado na zona de passagem da guerrilha e que um confronto era muito
provável, se parássemos antes da ponte era sinal de perigo, e voltei a fazer as
minhas recomendações, acrescentando que a zona da mata estava minada, pelo que
não deveriam sair da estrada.
Quando chegamos perto da ponte deu-se uma paragem inesperada, toda a gente no
chão, com excepção do padre que de pau em punho de colocou a agitar o mesmo o
mais alto possível, dirigi-me de imediato ao padre fi-lo baixar-se e chamei-lhe
a atenção de que estava a colocar a vida dele em perigo, a do comandante que
estava mesmo a seu lado, e a de todo o pelotão, ao sinalizar a sua posição.
A resposta do padre revelou-se de um egoísmo e de um desprezo pela vida dos
outros que me indignou, pois explicou-me que aquele bastão era um símbolo
religioso e quando os guerrilheiros o vissem ninguém ia disparar para aquele
sitio, retorqui que isso não era verdade e ninguém sabia o que aquele bastão
significava, e mesmo que fosse verdade estava a colocar o resto do pelotão em
perigo ao sinalizar a nossa posição, ao que respondeu com ar presunçoso que eles
conheciam bem aquele símbolo, e que não iriam disparar para ali.
O comandante perante esta situação fez-me sinal para deixar estar, e o padre
sentindo-se protegido voltou a agitar o pau, desta vez com um sorrido de gozo e
desafio.
A primeira coisa a passar-me coisas pela cabeça, foi espetar uma cronhada na
cabeça do padre e acabar com aquele sorriso, a segunda partir-lhe a merda do
pau, mas felizmente a coluna retomou a marcha e ele parou com aquilo.
Após um momento de reflexão conclui que não precisava de ir tão longe para
resolver o problema do padre, bastava tirar-lhe o pau da próxima vez que ele
fizesse sinais e depois devolver-lho em Bissorã.
O comandante provavelmente iria dar-me ordem para devolver o pau ao padre, e
poderia espetar-me uma “porrada” (uns dias de detenção ou prisão) por não a
cumprir, mas isso iria também coloca-lo mal, teria que dizer que tinha colocado
um civil, numa operação militar e que castigara um furriel, porque este tinha
impedido esse civil de assinalar a posição das nossas tropas ao inimigo, isto
depois de ter sido avisado, assim decidi aguardar que o padre voltasse a agitar
o pau para lho tirar.
Perguntei a mim próprio, qual seria o motivo de eu
arranjar sempre conflitos com os comandantes de Batalhão, quando eu até me dava bem com
toda a gente, e este ainda só cá estava à dois dias.
Pouco depois chegamos junto à ponte, e dirigi-me novamente ao comandante
indicando-lhe que tinha que ir desmontar as minas existentes, pelo que iria
desloca-lo para uma posição mais segura, assim coloquei-o com o padre numa
posição, em que a vegetação era tão densa e alta, que nem que o padre saltasse
ninguém veria o milagroso pau.
O padre percebeu a intenção e deitou-me um olhar furioso, e eu respondi-lhe com
um sorriso de gozo.
Avisei o alferes para estar de olho no padre, e a todo o pelotão que me ia dirigir
para o lado esquerdo do mesmo, pelo que em caso de confronto não deviam disparar
naquela direcção.
As zonas minadas são uma armadilha para todos os que entram nelas, mesmo para
quem as montou, não só porque a vegetação muda rapidamente o cenário inicial,
como o inimigo opta muitas vezes por minar também a zona, a fim de a tornar
incontrolavel, e neste caso havia noticias de que eles o tinham feito, ao
aperceberem-se que o caminho estava minado, mas podia ser apenas
contra-informação, de qualquer modo o melhor era actuar como se fosse verdade.
O local estava totalmente diferente do que tínhamos visto da primeira vez,
parecia que tinha havido uma explosão de verde, o capim que anteriormente apenas
chegava à cintura, tinha agora mais de 2 m de altura, retirando toda a
visibilidade, o que eram arbustos tinham-se transformado em arvores nada do
croqui batia certo, apenas uma gigantesca arvore que tinha sinalizado como
referência chave, me conseguia dar um mínimo de orientação.
Pedi a 2 soldados para virem atrás de mim pisando apenas onde eu pisasse, e com
um picador na mão direita para detectar as minas enterradas no chão, e uma
“vara” na esquerda, feita com um pé capim, para detectar eventuais fios
detonadores, avancei para a zona minada.
A montagem de sistemas de detonação através de fios era raramente utilizado, mas
tinham sido colocados neste local, e contava com a “vara” de capim para me
alertar, para a sua presença pois dada a sua fragilidade dobrar-se-ia sem fazer
detonar o engenho, isto porque apesar de ter sido eu que os tinha montado, não
confiava na minha capacidade de reconhecimento dos locais, nem no croqui.

07/1970 - Esboço feito na altura da colocação das minas,
que depois serviu para elaborar o croqui (1)
A progressão decorreu sem problemas, até que dei de frente com duas palmeiras
que
faziam um “V”, devo ter ficado branco, pois senti o sangue fugir.
Aos
meus pés devia estar uma mina, lembrava-me daquele "V", e tudo batia certo com
o croqui, duas palmeiras em “V”, um baga baga e mais duas arvores de lado,
fazendo as árvores e as palmeiras um triângulo, no meio do
triângulo a mina, de lado uma entrada de água vinda do rio.
Piquei cuidadosamente à minha volta mas não encontrei nada, o que significava
que a mina só podia estar num sitio, debaixo dos meus pés...
Segundo o croqui parecia que a mina devia estar um pouco mais à frente,
mas com tão pouca visão quem é que conseguia ter a certeza, e aquele “V” era inconfundível, até estava desenhada no croqui,
com a arvore do lado esquerdo mais tombada.

Montando uma mina anti-pessoal portuguesa (2)
É evidente que eu tinha picado o local antes de colocar os pés, mas aquelas minas
portuguesas anti-pessoal, eram muito difíceis de detectar por picagem, o
sistema adequado seria um detector de metais, pois são pequenas, estão
enterradas a maior profundidade, e um tubo com cerca de 1 cm de largura e cerca
de 10 de altura, é que faz a ligação com a superfície e que provoca o seu
accionamento, logo poderia ter passado na picagem.
A questão que se colocava agora era se eu tinha pisado a mina, porque é que esta
não tinha rebentado, talvez porque a chuva a tivesse enterrado um pouco mais, e
o meu peso não tivesse sido suficiente para a detonar, apesar do terreno ser
macio, assim livrei-me primeiro do peso que tinha, encostei a G3, tirei o
cinturão com os carregadores e o cantil de água, e como tinha o peso apoiado no
pé esquerdo, optei por retirar primeiro o pé direito, não me arriscando a fazer
pressão com ele.
A picagem ao local onde tinha os pés, também deu negativa, o que me deixou
baralhado. Onde estaria o raio da mina? Onde raio estaria eu?

Javali (Facochero), muito abundante na Guiné, tem uma carne
muito saborosa
Continuei e uns metros mais à frente encontrei um novo local exactamente igual
ao anterior, com o mesmo caprichoso “V”, no chão vestígios de uma
explosão, originada por um javali, a julgar pelos dentes existentes no local,
único vestígio da carcaça do animal, que provavelmente teria sido levado e
comido por outros animais, estava explicada a questão.
Finalmente chegamos à principal zona que tinha sido armadilhada, tratava-se de
uma pequenina clareira com 4 metros de diâmetro, que dava acesso à passagem para
o rio, o capim ai era mais baixo dando-nos apenas pelo peito.
Avisei os soldados
de onde era antigamente o trilho da guerrilha que ia dar a essa clareira, e para estarem
atentos e não saírem de onde estavam, pois do nosso lado esquerdo estava todo armadilhado com granadas de fragmentação ( granadas com cerca de 500g de
explosivo, volta da qual havia um cordão metálico), as quais possuíam uma
ligação em cadeia entre elas, de modo a arrasar com tudo o que estivesse naquela
clareira e arredores, e se nos movêssemos para a direita iríamos cair debaixo do
fogo do nosso pelotão, para além de poderem existir minas que não eram nossas.
Na armadilha montada à clareira tinha colocada vários sistemas de disparo,
escondidos na vegetação, mas o principal estava posicionado, numa pequena
descida íngreme usada para atravessar o rio, esta obrigava a descer rapidamente
ou a saltar, o que tornava impossível de detectar a tempo o fio da armadilha e
parar, e este já era quase invisível ao olho humano.
Quando me preparava para verificar as armadilha ouviram-se a uns 10 metros de
distância, passos silenciosos (o que indicava que nos teriam detectado), surgiam
vindos do caminho utilizado pela guerrilha, o capim movia-se lentamente na nossa
direcção, pelo movimento e ruído percebia-se que não era apenas uma pessoa.
A nossa posição era péssima para um confronto, pois estávamos muito juntos e era
fácil uma granada de RPG ou um tiro, fazerem disparar as armadilhas e arrasar
com tudo, mas se nos movêssemos poderíamos igualmente accionar uma das minas ou
armadilhas, assim ficamos onde estávamos e apontamos as armas.
Quem vinha na nossa direcção quando entrassem na clareira teria um confronto
cara a cara, pois estaria a 3 metros de nós, e o primeiro a surgir seria de
certeza um homem morto, mas era difícil de prever o desfecho, pois não
conseguiríamos ver os elementos mais recuados.

Gazela
À medida que os passos que se dirigiam na nossa direcção se aproximavam a
adrenalina ia subindo, 9 m, 8, 7, 6, 5, 4, e …, era uma gazela, linda, enorme, olhou-nos com uns grandes olhos pestanudos, cheia de
surpresa, por ver ali 3 “estatuas” de espingarda apontada, e com o nosso suspiro
de alivio, deu um enorme e gracioso salto, e desapareceu no meio do capim.
A observação ao local detectou que tudo o que tinha sido colocado tinha
explodido, tal como o javali, os vestígios eram escassos, apenas as árvores
cortadas pelas explosões e uns bocados de um pano azul rasgado pelos
estilhaços metálicos, davam uma ideia do que teria acontecido.
Uma observação à ponte e aos eventuais caminhos de acesso à estrada, acabou por
dar indícios que agora utilizavam esta, mas usavam vários caminhos para aceder à
estrada, tinham aprendido uma lição, nunca se deve seguir sempre pelo mesmo
trilho, a rotina é um inimigo perigoso.
O regresso foi calmo e sem problemas, e tudo está bem quando acaba bem.
O comandante do regimento vangloriou-se com a sua participado na operação, mas
de Bissau a resposta foi uma repreensão e o ficar proibido de se meter noutra,
pois não era aquela a sua missão e não queriam ter um oficial superior morto.
Apesar do que foi referido anteriormente, o novo comandante, parecia uma pessoa
humana, empenhada em aprender e em fazer o seu melhor.
Mais tarde em conversa com outros especialistas de minas e armadilhas,
percebi que todos tinham tido o problema da rápida mudança da vegetação, e só
com muito risco tinham garantido a neutralização das zonas minadas, devo contudo
referir que alguns disseram que não o fizeram, porque os pontos de referência
para localizar as minas tinham desaparecido, e como isso não era aceite como
justificação, o que constava nos seus relatório era enganadoramente que as minas
tinham rebentado, embora a realidade fosse transmitida aos outros pelotões.
Poucos meses depois chegaram-me noticias de que foram enviados para os locais de passagem junto à ponte do
rio Blassar, 22 milícias para montarem uma emboscada, nunca mais se soube deles,
as poucas noticias que chegaram diziam apenas que tinham sido cercados e
capturados, pois ficaram sem munições, o mais provável é terem sido mortos
depois, porque a vida de um milícia prisioneiro nada vale.

18/06/1972 -Equipamento capturado
pela C. Caç. 13, na sequência de uma acção ofensiva, na região de
Blassar (3)
Em 18/06/1972, uma acção ofensiva na região de Blassar , viria a permitir a
descoberta de uma base IN na zona, e de um depósito de material.
A descrição feita a esta operação que apresentamos a seguir, é retirada da
história oficial da CCAÇ. 13, no entanto esta descrição não é rigorosa, pois
como se verifica pelas fotos a quantidade de equipamento capturado foi superior.
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"No dia 18/06/1972
efectuou-se uma patrulha na região de Blassar, Indemdem, Uaqueri, Sambé,
Cunté, Cossicunto, e Náfula com emboscada na área de Indendem-Cunté que
se designou "Bromélia". Foram incumbidos da missão 2 GComb. reforçados
com uma sec. Mil., saindo do quartel às 0100 horas. Pelas 0600 h. junto
a Sambé destruiram um acampamento In com 5 casas. Foram vistos 3
elementos In armados em fuga que responderam ao nosso fogo com RPG.
Foram capturadas 2 granadas de RPG-2, um carregador cheio de PPSH,
animais e utensílios. As NT recolheram ao quartel sem consequências
pelas 1500 horas. " |
Publicado em 21/05/2006 e revisto em 1/08/2007 por Carlos Fortunato
Texto do furriel Carlos Fortunato
(1) Fotos do furriel
Carlos Fortunato
(2) Fonte da foto: livro "Guerra Colonial", Aniceto Afonso e
Carlos de Matos Gomes
(3) Fotos do furriel
José Gomes
(4) Fonte da foto: livro "Na presença dos Espíritos", Museu
Nacional de Etnologia, Lisboa, 2000
(5) Encontra mais informações sobre este animal no
site:
http://www.triplov.com/herpetologia/silva_lino/serpes_02.htm
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Optimizado para 800 x 600
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Carlos Fortunato
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