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Ataque à Outra Banda - 1970

 

1970 - Bissorã- Outra Banda - Caserna protegida com bidões cheios de terra.

Furriel Adriano Silva, comandante do 3º pelotão (4)

 

Bissorã está sujeita a ataques frequentes feitos pelo PAIGC, normalmente centrados numa zona denominada "Outra Banda", que está separada da localidade pelo rio Armada, cuja ponte é o único elemento de ligação, sabendo que controlando a ponte poderá controlar a zona, os guerrilheiros tentam frequentemente passar o arame farpado, e surpreender o pelotão que defende esta zona, utilizando para tal forças em número muito superior e artilharia.

 

Disseram-nos que no passado os guerrilheiros conseguiram mesmo ter sucesso e numa das vezes dominar a Outra Banda momentaneamente, levando toda a população, mas nessa altura a posição era apenas defendida por alguns milícias, e uma metralhadora pesada colocada pelos guerrilheiros a cobrir a ponte, não permitiu o apoio imediato das forças de socorro, a situação agora é diferente, pois um pelotão está permanentemente destacado ai, para defesa dessa zona.

 

A 19/06/1970  chegaram as primeiras peças de artilharia pesada a Bissorã, obuses 105mm, os quais permitiram responder adequadamente à artilharia do PAIGC, e dar um maior apoio às NT.

 

 
1970 - Abertura feita por tiro de RPG na Caserna da Outra Banda, no local onde dormiam os soldados (1) 1970 - Caserna na Outra Banda, bidons em volta da caserna, dão protecção adicional e facilitam o acesso às trincheiras. Encostado a uma palmeira cortada por um tiro de RPG, o furriel Fortunato (1)   1970 - Abertura feita por tiro de RPG na Caserna da Outra Banda, no local onde dormiam os sargentos e os oficiais (4)

 

O telhado esburacado pelas granadas, a abertura de uma "janela" com um tiro de RPG na caserna que servia de dormitório ao pelotão, ou o do corte da palmeira também por uma granada de RPG, são algumas das lembranças de um dos ataques realizados pelo PAIGC (1970), antes da chegada das peças de artilharia.

 

Na altura a Outra Banda era defendida pelo 3º pelotão, comandado pelo furriel Ariano Silva.

 

O ataque foi realizado por um numeroso grupo de guerrilheiros, dos quais uma parte, a coberto da noite, tentou passar o arame farpado e atacar os soldados que dormiam na caserna.

 

As sentinelas que vigiavam os portões de entrada, do perímetro defensivo, eram todas da milícia, e nós durante a noite apenas fazíamos rondas para verificar se tudo estava bem.

 

O grupo de guerrilheiros, apercebendo-se de que uma delas estava a dormir abriu o portão, e entrou dentro do perímetro defensivo.

 

A maior parte dos guerrilheiros, aguardava no exterior, mas um deles disparou acidentalmente um tiro, o que gerou uma hesitação no grupo de guerrilheiros.

 

         
  1970 - Bissorã - Outra Banda - Treino do 3º pelotão, para responder a um ataque (4)  

 

Bem treinados e conscientes do perigo, os soldados da CCaç. 13 aproveitaram bem os escassos segundos de hesitação da guerrilha, e correram para as trincheiras, para responder ao ataque. 

 

Nas trincheiras estavam todas as armas pesadas, e parte das G3, para permitir uma saída e uma resposta mais rápida.

 

A guerrilha disparou contra a a caserna, tentando atingir os soldados que ai estavam através dos espaços não protegidos pelos bidões cheios de terra, conseguiu atingi-la, mas era tarde, pois já lá não estava ninguém.

 

O arriscado objectivo da guerrilha de surpreender o 3º pelotão da C. Caç. 13, que estava a dormir na caserna, tinha falhado, e o grupo de guerrilheiros que já estava dentro do perímetro defensivo temendo ficar encurralado fugiu imediatamente. O numeroso grupo de guerrilheiros, que tinha tomado posições no exterior desencadeou um intenso fogo, mas retiraram ao fim de pouco tempo, perante a nossa resposta.

 

A resposta da CÇac. 13 foi rápida, precisa e eficaz, nomeadamente pelo morteiro (60 mm), que batia os locais que ofereciam maior protecção a um ataque (ex: atrás de um baga baga), os quais tinham sido previamente localizados.

 

Uma patrulha realizada no dia seguinte, detectou vários vestígios de sangue, que indiciavam a existência de feridos graves, ou mortos nas forças inimigas. Ninguém ficou ferido ou morto na CCaç 13.

 

 Mapa de Bissorã

 

Importa aqui salientar que o RPG-2, embora neste ataque fosse uma arma eficaz, porque permitiu furar as paredes, não era uma arma muito eficaz contra a infantaria, pois tinha uma granada anti-tanque, que dirigia toda a sua potência para a frente, dado que o seu objectivo era conseguir penetrar na blindagem de um tanque, assim rebentava a 1 m ao nosso lado, sem causar qualquer dano.

 

RPG-2 e respectiva granada anti-tanque (2)

 

As bazucas utilizadas pelas NT, possuíam granadas anti-tanque e anti-pessoal, uma das primeiras acções da C. Caç. 13 ao chegar a Bissorã, foi trocar todas as granadas anti-tanque que nos tinham dado, por granadas anti-pessoal, o que deu a esta arma uma grande eficácia.

 

RPG-7 e respectiva granada anti-tanque PG-7VM (3)

 

O RPG-7 era outra arma presente na Guiné, embora em menos quantidade. Esta arma começou a ser fabricado a partir de 1961, era uma arma mais eficaz, e ainda hoje é uma arma de referência. O RPG-7 utiliza vários tipos de granadas.

 

Granada anti-tanque PG-7VM, vista do interior (3)

 

O corte em V no explosivo (cor de rosa), origina que toda a força da explosão se dirija em frente, pois esse é área com menor resistência.

 

 

1999 - Granada de framentação anti-pessoal OG-7V (3)

 

 


 

Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato

Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

(1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

(2) Fonte da foto:   http://world.guns.ru/grenade/gl01-e.htm

(3) Fonte da foto:  http://world.guns.ru/grenade/gl02-e.htm

(4) Fotos de Adriano Silva, ex-furriel da CCaç. 13

 


 

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