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 O morto mata 4 - 20/11/1969

 

 

 
 

1970 - Guerrilheiro morto em combate (1)

 

 

Chegamos a Bissorã vindos de Bolama a 5/11/1969, na altura a companhia era designada por CCaç 2591, só mais tarde mudaria para CCac 13, e  o PAIGC saudou-nos com uma flagelação a Bissorã/ Outra Banda a 12/11/1969.

 

A 14/11/1969 na operação "Forte Rasteira" numa acção ofensiva em que participaram o 1º, o 2º e o 3º pelotões, tivemos um violento confronto em Iusse, onde sofremos 1 morto, o Homana Iema, que tombou atingido por uma granada de RPG e 1 ferido, tendo a guerrilha tido 4 mortos.

 

Em consequência desta acção viria ainda a falecer mais um soldado, o condutor José de Oliveira Lopes, devido ao facto de a viatura em que se seguia se ter virado, quando no transporte das nossas tropas, pois ao desviar-se quando se cruzou com outra viatura, na estreita estrada de terra batida, o terreno cedeu e a viatura tombou.

 

A história da CCaç 2531, que estava sedeada no Biambi refere assim esta operação:

 

"Em 14, operação "Forte Rasteira"

 

Batida da região de Insantaque-Umpabá, com a finalidade de capturar ou aniquilar elementos IN e destruir inicios de vida na zona.

 

Forças empenhadas - CCaç 2465 a 03 G. COMB.

                                  - CCaç 2531 a 03 G. COMB, reforçada com 01 Pel.Mil.

                                  - CCaç 2591 a 03 G. COMB, reforçada com 01 Pel.P.Adm.

                                  - P C V.

A operação teve inicio às 0000 e durou 2 dias.

As forças desta CCaç não tiveram contacto.

Recuperaram 06 homens e 05 mulheres da população.

A CCaç 2591 estabeleceu contacto na região de Issue sofrendo 02 mortos e 01 ferido, e causando 04 mortos ao IN além de outras baixas.

Foram destruídas várias casas de mato."

 

A 20/11/1969 a CCaç 13 (designada por CCaç 2591 na altura) realizou nova acção ofensiva, desta vez ao Queré, com o 3º e o 4º pelotões, reforçados com um pelotão de milícias.

 

Na nossa operação no Queré, os elementos do PAIGC, detectaram a nossa presença na zona, o que também não era difícil pois o comandante do regimento, quis assistir ao "espectáculo" e andou a passear de avioneta por cima da nossa coluna.

 

Nesta altura era frequente esta presença da avioneta com o comandante do batalhão, em certas acções/operações consideradas de maior risco, creio que era uma maneira de o comando ter a certeza, de que as mesmas iam efectivamente a determinados locais, cumprindo com o planeamento feito, mas por outro lado a guerrilha quando via uma avioneta aos círculos numa zona, já sabia o que isso significava, o que não só denunciava a nossa posição, como eliminava o factor surpresa.

 

A avioneta fazia círculos noutros locais para despistar, mas a guerrilha excelente conhecedora do terreno, conseguia localizar-nos.

 

Ao detectarmos um trilho muito recente, optamos por montar uma emboscada ao mesmo.

 

Era um local com alguns problemas de posicionamento, pois ficamos com uma formação em "U", e com a milícia nas nossas costas, a qual apesar de avisada da nossa posição, acabaria de disparar contra as nós, colocando-nos sobre fogo cruzado, o que tinha sido previsto pelos soldados africanos da nossa companhia.

 

Como o trilho era recente, e a avioneta tinha denunciado a nossas posição, calculamos que a guerrilha viesse à nossa procura por ele.

 

A guerrilha não veio pelo trilho, mas fez uma formação em linha e avançou ao nosso encontro, o capim era extremamente denso não permitindo qualquer visualização, como era nossa norma, mantivemos um silencio quase absoluto, o que nos permitiu detectar a aproximação dos guerrilheiros, pois um deles cometeu o erro de falar, o que foi a sua morte.

 

Jorge Embana um dos soldados africanos do 4º pelotão, já anteriormente condecorado, pela sua acção como milícia, ao detectar o grupo a aproximar-se adiantou-se na sua posição, e eliminou o elemento que tinha falado com uma rajada de G3, os restantes guerrilheiros reagiram com fogo, mas colocaram-se rapidamente em fuga, perante a nossa resposta

 

 

Granada de mão defensiva M/63

(peso 455g, 156 g composição B, raio de acção eficaz 15 m, raio de acção perigoso 185 m, actua através de estilhaços provenientes do seu corpo)

 

Tivemos um ferido grave que teve que ser evacuado por heli, e mais alguns feridos ligeiros.

 

 

 
 

Bolama - 1969 - Os furriéis Queiroz (de boina) e Adriano, ao lado do furriel Queiroz o soldado africano Branquinho, os restantes são elementos do 3º pelotão, que não se conseguiu identificar (2)

 

 

O Queiróz que era um dos rangers (unidade de elite constituída apenas por oficiais e sargentos) incorporado na nossa companhia, usando 2 granadas de mão defensivas, armadilhou o guerrilheiro morto.

 

As granadas sem a cavilha de segurança, foram colocadas debaixo do guerrilheiro morto, por dentro da camisa, prontas a rebentar caso o morto fosse movido.

 

Esperávamos que os guerrilheiros viessem buscar o morto mais tarde, e ao levanta-lo, se não percebessem o que significava aquele "click" que iriam ouvir (o percutor da granada a bater no detonador), 4 segundos depois estariam mortos, e foi o que efectivamente aconteceu, morreram mais 4 guerrilheiros, entre eles o seu comandante.

 

Este primeiro sucesso, em que a guerrilha sofreu 5 mortos, entre eles o seu comandante, teve um forte impacto na região do Queré, e os guerrilheiros perceberam de imediato, que teriam que actuar com mais cuidado, e não seria tão fácil surpreende-los para a próxima.

 


 

Publicado em 24/02/2003, e revisto em 07/04/2008 por Carlos Fortunato

Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

 

(1) Foto retirada do site de Bara István - http://www.fotobara.hu/index.html

(2) Fotos de Adriano Silva, ex-furriel da CCaç. 13


 

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