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Bissorã - Katyusha - 12/05/1971 

 

 

 

09/11/1971 - Estragos causados

 por um foguetão  122mm nas traseiros do

Bar dos Sargentos, onde existiam quartos e uma arrecadação de material de guerra (1)

1972 - Frente do Bar de Sargentos

De pé: furriéis Afonso, Lopes, Fernandes, Petronilho, Breem, cabo Esteves.

Sentados: furriéis Baptista, Velez, Vinagre, Rodrigues (1)

1972 - O major Otelo Saraiva de Carvalho, mostra um foguetão de 122mm, capturado pelas NT no norte da Guiné (2)

 

Foram vários os ataques com foguetões a Bissorã, referimos aqui apenas alguns deles.

 

 O Primeiro Ataque

 

A 12/05/1971 foi efectuado o primeiro ataque a Bissorã com mísseis terra-terra Katyusha, conhecidos como foguetões de 122mm, tendo sido disparados 4 foguetões.

 

O Segundo Ataque

 

Em 29/06/1971, Bissorã foi novamente atacada, desta vez com tiros de canhão. O ataque de canhão durou 20 minutos, tendo a nossa emboscada nocturna detectado o local dos mesmos, junto à estrada de Mansabá, e no meio da bolanha.

 

O Terceiro Ataque

 

Em 09/11/11971, seria desencadeado o ataque mais violento, com 32 tiros de canhão e 6 foguetões de 122mm.

 

 
09/11/1971 - Bissorã - Valter Lopes, à porta traseira do Bar de Sargentos depois do ataque - O  Bar era um dos locais que o PAIGC devia ter as coordenadas, porque era sempre um alvo, durante os ataques (3) 09/11/11971 - Bissorã - Traseiras do Bar de Sargentos - O furriel Valter Lopes com uma cápsula de um dos foguetões de 122, usados no ataque, e o buraco feito por um deles nas traseiras do bar. Dado o impacto ser praticamente todo dirigida para a frente, devia ter uma carga perfurante, com o objectivo de destruir abrigos (3)  

 

O ex-furriel Valter Lopes relembra o ataque de 9/11/1971:

 

"Um dos mísseis caiu nas traseiras do bar de sargentos, atingindo as instalações ai existentes, ou seja, o bar, a arrecadação de material de guerra, e o quarto do furriel enfermeiro Vinagre, e do furriel Mendes.

 

Quando explodiu estávamos os 3 nesse quarto, a 2 ou 3 metros, do local da explosão.

 

Quando aquilo rebentou eu estava ao lado da porta e o Mendes do outro lado , o Vinagre estava em frente, e tinha-se baixado para debaixo da cama, para procurar o calçado porque íamos sair. Foi a sorte dele, a porta foi projectada e passou-lhe por cima.

 

Levei com parte da folha de zinco da porta, o que me fez ir para a enfermaria, combalido e com os lábios rasgados. Mas o pior foi o que aconteceu ao cabo que estava no bar, o qual tinha chegado nesse dia, creio que de gozar o prémio Governador, e por azar estava junto à porta que dava para as traseiras, a qual também foi arrancada com o impacto da explosão.

 

Acho que não chegou a morrer, mas devia ter ficado muito mal, pois a explosão foi muito perto dele.

 

Morreram algumas pessoas (população) e houve muitos feridos Foi um ataque muito forte, o pior de vários que fizeram a Bissorã no nosso tempo, 1971-1972. Como estive na enfermaria presenciei a quantidade de gente que lá entrou."

 

O Último Ataque

 

1974 - Bissorã - Estrada Bissorã/Mansoa - Vasco Gama , com soldados da CCaç 13, o primeiro à esquerda é o soldado Calaboche (4)

 

A 02/05/1974 registou-se o último ataque a Bissorã, foi um ataque que ninguém compreendeu, pois já decorria um cessar fogo "informal", no qual as NT não saiam sequer  do quartel, o ex-furriel Vasco Gama lembra-se bem desse dia:

 

"Lembro-me bem do último ataque a Bissorã, porque já ninguém esperava por ele.

 

Pensei que era o fim...

 

Nesse dia tinha ido colocar uma carta para a família, na caixa do correio que havia na CCS.

 

O ataque veio do lado da estrada do Olossato, foram disparados 7 foguetões, houve feridos entre a população.

Naquela altura não fazíamos patrulhamentos, nem emboscadas nocturnas, e nem "batíamos" (bombardeávamos) as zonas onde estava o PAIGC, apenas estávamos autorizados a disparar para nos defender.

O ataque foi de dia, e lembro-me bem de estar de cabeça para baixo dentro da vala a ouvir os assobios dos foguetões e seus rebentamentos.

A nossa artilharia não estava à altura do poder de fogo do inimigo, pois as suas armas possuíam um maior alcance, e poder destrutivo, só uma resposta coordenada com outros aquartelamentos é que permitia alguma eficácia, mas o principal problema era que existiam ordens para não se bombardear as zonas inimigas, e era difícil de detectar de onde estava a partir o ataque.

Também me lembro que já depois do 25 de Abril Farim teve o maior ataque de toda a guerra, e só pela simples razão de que o capitão que lá estava mandou "bater" a zona, quando já havia ordens para o não fazer, e o PAIGC respondeu com todo o armamento pesado que tinha."

 


 

Publicado no site em 19/06/2006, e revisto em 25/04/2008 por Carlos Fortunato

Crónica de Henrique Petronilho, Valter Lopes, e Vasco Gama, redacção de Carlos Fortunato, todos ex-furrieis da CCaç. 13

(1) Fotos de Henrique Petronilho, ex-furriel da CCaç. 13

(2) Fotos do livro "Manga de ronco no chão", José Manuel Pintassilgo

(3) Fotos de Valter Lopes, ex-furriel da CCaç. 13

(4) Fotos de Vasco Gama, ex-furriel da CCaç. 13

 


 

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