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CCaç 13 |
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Bissorã - Katyusha - 12/05/1971
Foram vários os ataques com foguetões a Bissorã, referimos aqui apenas alguns deles.
O Primeiro Ataque
A 12/05/1971 foi efectuado o primeiro ataque a Bissorã com mísseis terra-terra Katyusha, conhecidos como foguetões de 122mm, tendo sido disparados 4 foguetões.
O Segundo Ataque
Em 29/06/1971, Bissorã foi novamente atacada, desta vez com tiros de canhão. O ataque de canhão durou 20 minutos, tendo a nossa emboscada nocturna detectado o local dos mesmos, junto à estrada de Mansabá, e no meio da bolanha.
O Terceiro Ataque
Em 09/11/11971, seria desencadeado o ataque mais violento, com 32 tiros de canhão e 6 foguetões de 122mm.
O ex-furriel Valter Lopes relembra o ataque de 9/11/1971:
"Um dos mísseis caiu nas traseiras do bar de sargentos, atingindo as instalações ai existentes, ou seja, o bar, a arrecadação de material de guerra, e o quarto do furriel enfermeiro Vinagre, e do furriel Mendes.
Quando explodiu estávamos os 3 nesse quarto, a 2 ou 3 metros, do local da explosão.
Quando aquilo rebentou eu estava ao lado da porta e o Mendes do outro lado , o Vinagre estava em frente, e tinha-se baixado para debaixo da cama, para procurar o calçado porque íamos sair. Foi a sorte dele, a porta foi projectada e passou-lhe por cima.
Levei com parte da folha de zinco da porta, o que me fez ir para a enfermaria, combalido e com os lábios rasgados. Mas o pior foi o que aconteceu ao cabo que estava no bar, o qual tinha chegado nesse dia, creio que de gozar o prémio Governador, e por azar estava junto à porta que dava para as traseiras, a qual também foi arrancada com o impacto da explosão.
Acho que não chegou a morrer, mas devia ter ficado muito mal, pois a explosão foi muito perto dele.
Morreram algumas pessoas (população) e houve muitos feridos Foi um ataque muito forte, o pior de vários que fizeram a Bissorã no nosso tempo, 1971-1972. Como estive na enfermaria presenciei a quantidade de gente que lá entrou."
O Último Ataque
A 02/05/1974 registou-se o último ataque a Bissorã, foi um ataque que ninguém compreendeu, pois já decorria um cessar fogo "informal", no qual as NT não saiam sequer do quartel, o ex-furriel Vasco Gama lembra-se bem desse dia:
"Lembro-me bem do último ataque a Bissorã, porque já ninguém esperava por ele.
Pensei que era o fim...
Nesse dia tinha ido colocar uma carta para a família, na caixa do correio que havia na CCS.
O ataque veio do lado da estrada do Olossato, foram disparados 7
foguetões, houve feridos entre a população.
Naquela altura não fazíamos patrulhamentos, nem emboscadas nocturnas, e nem "batíamos" (bombardeávamos) as zonas onde estava o PAIGC, apenas estávamos autorizados a disparar para nos defender. O ataque foi de dia, e lembro-me bem de estar de cabeça para baixo dentro da vala a ouvir os assobios dos foguetões e seus rebentamentos. A nossa artilharia não estava à altura do poder de fogo do inimigo, pois as suas armas possuíam um maior alcance, e poder destrutivo, só uma resposta coordenada com outros aquartelamentos é que permitia alguma eficácia, mas o principal problema era que existiam ordens para não se bombardear as zonas inimigas, e era difícil de detectar de onde estava a partir o ataque. Também me lembro que já depois do 25 de Abril Farim teve o maior ataque de toda a guerra, e só pela simples razão de que o capitão que lá estava mandou "bater" a zona, quando já havia ordens para o não fazer, e o PAIGC respondeu com todo o armamento pesado que tinha."
Publicado no site em 19/06/2006, e revisto em 25/04/2008 por Carlos Fortunato Crónica de Henrique Petronilho, Valter Lopes, e Vasco Gama, redacção de Carlos Fortunato, todos ex-furrieis da CCaç. 13 (1) Fotos de Henrique Petronilho, ex-furriel da CCaç. 13 (2) Fotos do livro "Manga de ronco no chão", José Manuel Pintassilgo (3) Fotos de Valter Lopes, ex-furriel da CCaç. 13 (4) Fotos de Vasco Gama, ex-furriel da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Isabel Niza
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