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CCaç 13 |
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Realizando o impossível - 1969
1969 - Patrulha regressa a Bissorã ao anoitecer (1)
As capacidades dos balantas permitem-lhes fazer coisas difíceis de acreditar.
Um dos casos ocorreu já em Bissorã, quando numa das acções que realizamos a Cate, creio que em Novembro de 1969. Saímos por volta da meia noite, mas um dos soldado africanos só acordou 2 horas depois de já termos saído. Apesar de desconhecer qual o nosso destino ou o caminho que íamos seguir, conseguiu seguir-nos encontrar-nos, numa noite escura, depois de termos passado por água, mato cerrado, etc.
Devo confessar que eu me perdi nessa patrulha. Já andávamos à mais de uma hora caminhando noite dentro, quase sempre a corta mato, tendo atravessado as inevitáveis bolanhas que nos deixavam totalmente encharcados, quando chegamos a uma zona em que o mato era de tal forma cerrado, que tivemos que o passar rastejando.
Ora como é natural, os primeiros que passaram a rastejar fizeram-no muito lentamente, mas quando retomaram a marcha normal os que vinham atrás tiveram que correr para os apanhar, vindo eu praticamente no fim da coluna, quando acabei de rastejar, só vi o soldado que ia à minha frente largar a correr para não perder a ligação com o resto da coluna.
Mal atravessei o mato cerrado, larguei a correr para não perder de vista o vulto que corria à minha frente, mas era uma noite muito escura, e não vi um enorme buraco feito por um javali, no qual cai numa confusão de corpo, G3, e granadas.
A minha primeira preocupação foi se alguma das cavilhas de segurança das granadas não tinha saído (o que faria rebentar a mesma ao fim de 4 segundos), depois de verificar/repor correctamente as cavilhas, atirei a arma para fora do buraco, e consegui sair do mesmo com alguma dificuldade.
Neste espaço de tempo a coluna tinha desaparecido, e eu não fazia a mínima ideia onde estava, e sentia-me incapaz de encontrar o caminho de regresso, assim tentei seguir na direcção para onde tinha visto o último soldado correr.
Naquela direcção havia apenas alguns tufos de capim, e a escuridão não permitia procurar um rasto, talvez por o meu nome ser Fortunato (nome de origem italiana, que significa sorte), acabei por encontrar o resto da coluna, a qual tinha parado um bocado mais à frente, pois já tinha sido dado como "desaparecido em combate".
Algum tempo depois deste incidente, e já estando nós a montar uma emboscada, ouvi um ruído de alguém que se aproximava a coberto do capim, alertei os soldados, mas estes disseram-me que era o soldado do nosso pelotão que não se tinha apresentado à partida, e para grande surpresa minha era mesmo...
Como foi possível ele conseguir-nos seguir? Como sabiam os soldados que era ele?
O conhecimento do terreno e os sentidos mais desenvolvidos dos soldados africanos, permitiam-lhes realizar coisas, que para um soldado vindo da metrópole eram simplesmente impossíveis.
O alferes Roda da C. Caç. 14, realizou em Bolama uma secção de hipnotismo, em que num dos números dava a cheirar uma folha de papel em branco, e os africanos depois de hipnotizados e com os olhos vendados, eram capazes de localizar e apanhar os bocados de papel espalhados pelo chão.
Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13 (1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13 (2) Fotos de Carlos Oliveira, ex-capitão da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Isabel Niza
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